Sobre o Blog

Blog criado por alunos do curso de administração da PUC Minas em Betim com o objetivo de expor os problemas, os desafios e projetos para a gestão sustentável nas empresas.

domingo, 10 de junho de 2012

AMBIGUIDADES E DEFICIÊNCIAS DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL

AMBIGUIDADES E DEFICIÊNCIAS DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTAVEL

Conceitos
Citações Literais
Introdução







Introdução




A intenção deste texto é buscar entender
a definição de desenvolvimento sustentável
e discutir os diferentes conteúdos que
vêm sendo dados ao termo.
Dentro dos limites da pesquisa executada
para este balanço', foi possível identificar dois
grupos de informação e análise a respeito dos
conceitos e objetivos que dão atualmente conteúdo
ao desenvolvimento sustentável.
Um primeiro grupo se refere a conceituações
que vêm sendo feitas por cientistas
(das áreas biológicas e humanas),
técnicos de governo e políticos que serão
apresentadas no item "Interpretações".
Elas mostram a diversidade de opiniões e
diagnósticos sobre o binômio desenvolvimento
/ meio ambiente.
A segunda delas se refere aos discursos
dos organismos e entidades internacionais
de fomento na área de meio ambiente
(como a União Internacional para a Conservação
da Natureza (UICN), o Programa
de Meio Ambiente das Nações Unidas
(PNUMA) etc.), que orientam os diagnósticos,
análises e propostas dessas instituições
e estão publicadas na sua bibliografia
oficial mais recente. Eles nos interessam em
especial por sua posição dominante no
debate sobre desenvolvimento sustentável,
e pela sua capacidade em influenciar políticas
e ações de âmbito global e local,
tornando-se marco referencial para outras
entidades e órgãos, como, por exemplo, o
Banco Mundial, a OCDE e o Banco de Desenvolvimento
da Ásia. Para isto, utilizaremos
o balanço crítico apresentado por
S.M. Lélé em seu artigo "Sustainable
development: a critical review"? sobre o
conteúdo e premissas do desenvolvimento
sustentável adotados por essas instituições
e suas conclusões a respeito, na seção
"Histórico e Contradições".

Margaret Baroni, Revista de Administração de Empresas  / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil 
Pag. 15






HISTÓRICO

A história do termo desenvolvimento
sustentável se inicia em 1980, quando a
UICN (União Internacional para a Conservação
da Natureza) apresenta o documento
Estratégia de Conservação Mundial
com o objetivo de alcançar o desenvolvimento
sustentável através da conservação
dos recursos vivos.
O documento foi criticado por Khosla,
que afirmou ser a estratégia restrita aos
recursos vivos, focada na necessidade de
manter a diversidade genética, os habitats
e os processos ecológicos e incapaz de
tratar das questões controversas relacionadas
com a ordem internacional política
e econômica, as guerras, os problemas de
armamentos, população e urbanização.
Uma segunda crítica, feita por Sunkel ',
era que a estratégia era essencialmente
voltada para o lado da oferta, assumindo
que a estrutura e o nível da demanda eram
variáveis autônomas e independentes, e
ignorando o fato de que "se um estilo de
desenvolvimento sustentável deve ser perseguido,
então ambos os níveis e particularmente
a estrutura da demanda devem ser fundamentalmente
mudadas".

Margaret Baroni, Revista de Administração de Empresas  / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil   
Pag. 15






EXEMPLOS DA "ELASTICIDADE"
DO CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL

No Brasil, diversos discursos têm se
apropriado do termo de acordo com as
suas conveniências, ideologias e projetos.
Exemplos disso têm surgido freqüentemente
nos jornais:
a) "Para difundir em seus países o conceito
de desenvolvimento sustentável, os empresários
latino-americanos do Conselho Empresarial
para ODesenvolvimento Sustentável, reunidos
no Rio de Janeiro em 08/10/91, vão apresentar
um rol de reivindicações aos seus governos. A
primeira das oito mensagens diz que a
economia de mercado permitirá aos países
um desenvolvimento com bases sustentáveis
(sem degradar a natureza).
O empresário mexicano Eugênio
Clariond Reyes, que presidiu o painel Às
Empresas e os Governos', disse que as
economias 'manipuladas e fechadas' não
oferecem as condições necessárias para a
aplicação desse novo conceito.
O Conselho Empresarial para o desenvolvimento
sustentável defende ainda a contenção do crescimento populacional, o
respeito ao direito de propriedade, a redução
da presença dos governos na economia
e a queda dos juros como condições básicas
para o desenvolvimento sustentável".
"A pobreza é um dos principais problemas
ambientais do Brasil. A conclusão é do relatório
preliminar do governo para a ECO-92
O relatório base do documento que o
governo apresentou na ECO-92 diz que a
preservação da Amazônia tem que começar
pela solução dos problemas econômicos
locais.
No documento, o governo reconhece a
culpa oficial por parte do desmatamento.
Admite que os incentivos fiscais dados para
colonização da Amazônia financiaram a
derrubada da floresta. O governo defende
agora um modelo de 'desenvolvimento
sustentado' que preserve a floresta.
A base seria a criação de reservas extrativistas,
sustentadas por investimentos oficiais
e internacionais."
b) "No lim'ar do novo século/milênio, delineia-
se no mundo um novo modelo de desenvolvimento.
É o que poderíamos chamar de revolução
ambiental - um capítulo da história
econômica na mesma linhagem da revolução
industrial e da recente revolução tecnológica.
Margaret Baroni, Revista de Administração de Empresas  / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil   
Pag. 21 e 22






CONCLUSÕES
É possível já concluir que, muitas vezes,
sustentabilidade ecológica, desenvolvimento
sustentável e sustentabilidade são
usados com os mesmos sentidos, embora
tenham significados distintos. O que se
pode concluir, também, é que muitos autores
se propõem definir desenvolvimento
sustentável e, no entanto, apresentam
propostas genéricas e setoriais demais.
Além disso, a palavra sustentável leva a
interpretações contraditórias. O relatório
Caring for the Earth - a strategy for sustainable
living reconhece isto: lia confusão do termo
surgiu porque desenvolvimento sustentável,
crescimento sustentável, uso sustentável têm
sido usados como termos intercambiáveis, como
se tivessem o mesmo significado, mas não têm. Crescimento sustentável é uma contradição em
si mesmo: nada do que é [fsico pode crescer indefinidamente.
Uso sustentável aplica-se somente
a recursos renováveis: significa o uso
desses recursos em quantidades compatíveis
com sua capacidade de renovação. Desenvolvimento
sustentável é empregado nessa estratégia
com o significado de melhorar a qualidade
de vida humana dentro dos limites da capacidade
de suporte dos ecossistemas.í"
Assim, a única unanimidade que o termo
desenvolvimento sustentável possui é em
relação à sua ambigüidade: o termo corre o
riscode se tomar um chavão que todos usam
e ninguém se preocupa em definir.
Mesmo assim, ou por isto mesmo, o conceito
impreciso e vago permite que pessoas
e instituições com posições inconciliáveisno
debate meio ambientei desenvolvimento
não comprometam suas posições.
Margaret Baroni, Revista de Administração de Empresas  / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil   
Pag. 22 e 23




























































































































































 Fichamento elaborado por: Phillipe Bruno Magalhães Barros

Referências: BARONI, Margaret, Revista de Administração de Empresas / EAESP / FGV, São Paulo, Brasil. Abr./Jun. 1992

Frases de aforismo

"A administração é uma questão de habilidades, e não depende da técnica ou experiência. Mas é preciso antes de tudo saber o que se quer."
Sócrates                 
Disponível em: http: //www.citador.pt/frases/citacoes/t/administracao   Acesso em: 02/06/2012

Por: Anderson Duarte Silva  

Charges










Por: Phillipe Bruno Magalhães Barros

Aforismos

"A cada um é permitido usufruir do Mundo, mas cada um também cabe, no dia a dia, deixar este Mundo melhor de que quando chegou"
 Autor -   J.R. Jerónimo



"A natureza é apenas para quem vive no campo."  
Autor - La Bruyère, Jean de 




Por: Phillipe Bruno Magalhães Barros

Charges relacionadas ao desenvolvimento sustentável

   

Disponível em: http://www.dumilustrador.blogspot.com.br/ Acesso em: 02/06/2012





Disponível em:  http://www.sense8.com.br/clientes/amda/?string=interna-charges&cod=7 Acesso em: 02/06/2012

Por: Anderson Duarte Silva

Estratégia para construção de indicadores para avaliação da sustentabilidade e monitoramento de sistemas


 Estratégia para construção de indicadores para avaliação da sustentabilidade e monitoramento de sistemas
A partir da década de oitenta, o termo sustentabilidade começa a aparecer com muita freqüência, tornando-se tema importante no debate social. A grande discussão em torno
da sustentabilidade dirige-se à construção de indicadores – instrumentos que permitem
mensurar as modificações nas características de um sistema - e que permitem avaliar a
sustentabilidade dos diferentes sistemas.

Não são raros os casos em que atividades de monitoramento geram muitas informações
que, posteriormente, são pouco utilizadas, o que pode talvez ser explicado pelo fato do indicador utilizado para o monitoramento não retratar os anseios do grupo diretamente relacionado com o objeto. Para tanto, faz-se necessário definir descritores, indicadores e parâmetros que mensurem, monitorem e avaliem a sustentabilidade nesses aspectos.

Para o acompanhamento de sistemas de produção, de redes referência2, de projetos de  investigação participativa, de unidades de experimentação participativa ou de qualquer unidade de observação, faz-se necessário o monitoramento de dados e de informações.
Ademais, inserindo-se em uma visão sistêmica, com base em princípios da Agroecologia, percebe-se que não são suficientes apenas as informações relacionadas à eficiência técnica-econômica, em geral referentes à produção e renda, sendo demandadas também informações que envolvam outros aspectos, como os sociais e ambientais, permitindo avaliar a sustentabilidade de sistemas, dentro
de uma trajetória histórica.
O uso do MESMIS- Marco de Avaliação de Sistemas de Manejo de Recursos Naturais Incorporando
Indicadores de Sustentabilidade é uma alternativa que permite a identificação de padrões sustentáveis de desenvolvimento que considerem aspectos técnicos, ambientais, econômicos e sociais. Para tanto, faz-se necessário definir descritores, indicadores e parâmetros que mensurem, monitorem e avaliem a sustentabilidade nesses aspectos.
A construção de indicadores para avaliação da sustentabilidade é um trabalho que exige uma equipe interdisciplinar, pois não há uma fórmula pronta, é necessário análise, interpretação
e compreensão por parte dos envolvidos. Os indicadores descrevem um processo específico
e são particulares a esses processos, e por isso não há um conjunto de indicadores globais adaptáveis a qualquer realidade. Os indicadores devem refletir o objetivo de seus propositores. Assim, o processo participativo na sua construção garante a identificação dos propositores com os indicadores selecionados.
Escrito por: Phillipe Bruno Magalhães Barros

DEPONTI, Cidonea Machado,  ECKERT, Córdula,  AZAMBUJA, José Luiz Bortoli de,  Estratégia para construção de indicadores para avaliação da sustentabilidade e monitoramento de sistemas,  2002,  Acesso em:  07/06/2012

Disponível em:  http://taquari.emater.tche.br/docs/agroeco/revista/ano3_n4/artigo3.pdf

Avanços e limites da sustentabilidade social


Avanços e limites da sustentabilidade social

Quando se fala de meio ambiente em termos gerais está-se considerando a natureza externa ao ser humano. Porém, toda a discussão sobre a crise ambiental moderna, e sobre uma alternativa ambientalmente mais saudável para o desenvolvimento humano, considera a sociedade humana como fazendo parte do meio ambiente. O próprio conceito de desenvolvimento sustentável nasceu incorporando à sustentabilidade ambiental uma sustentabilidade social e econômica.
A consciência da crise ambiental moderna se consolida, no final da década de 60 e começo da écada de 70, onde apontou-se para a necessidade de se rediscutir o desenvolvimento, devido aos danos que ele próprio estava gerando sobre a natureza externa.
Apesar de existirem dezenas ou talvez centenas de definições de desenvolvimento sustentável, quando essas definições são analisadas e explicadas, na maioria dos casos, os aspectos sociais e econômicos da sustentabilidade sempre complementam os da sustentabilidade ecológica.
A tridimensionalidade da sustentabilidade é atrativa e parece abranger os diferentes setores nos quais o desenvolvimento capitalista deve focar sua atenção.
Sustentabilidade ecológica diz respeito a um certo equilíbrio e manutenção de ecossistemas, à conservação de espécies e à manutenção de um estoque genético das espécies, que garanta a resiliência ante impactos externos.
O conceito de sustentabilidade econômica começa a complicar a análise da sustentabilidade. Porém, como o crescimento ilimitado é intrínseco à dinâmica capitalista, defender tal postulação seria o mesmo que negar o capitalismo sem ter o que colocar no lugar. Para as vertentes mais brandas da economia ecológica, e para os economistas ambientais, bastaria corrigir os processos produtivos para obter um desenvolvimento capitalista sustentável (PEARCE; TURNER, 1995). Basicamente, seria o caso de substituir crescentemente os recursos naturais não-renováveis por renováveis, e de diminuir também crescentemente a poluição.
Por sua vez, o conceito de sustentabilidade social é, talvez, o que tem gerado maiores polêmicas teóricas, e cujo conteúdo mais tem mudado durante os últimos trinta anos. Um estudioso da evolução do conceito de desenvolvimento sustentável coloca a diferença entre sustentabilidade social e sustentabilidade ecológica como o grande problema conceitual. “Differentiating between ecological and social sustainability could be a first step toward clarifying some of the discussion.” (LÉLÉ, 1991, p. 615).
Além das vozes de denúncia da sustentabilidade social como meio e não como fim, o que têm de comum essas formas de considerar a sustentabilidade, seja ecológica,social ou econômica, é sua perspectiva técnica. Isso é de extrema importância porque diz respeito ao fato de reduzir a polêmica sobre desenvolvimento sustentável às mudanças dentro do sistema capitalista.
Durante os últimos trinta anos, a questão da sustentabilidade social teve como eixo central a pobreza e o incremento populacional. Reduzir a pobreza e limitar o crescimento populacional eram os objetivos de qualquer programa de sustentabilidade social. Obviamente, questões como eqüidade, qualidade de vida, etc., estavam presentes, porém, aqueles eram os temas centrais em nível mundial. Como o incremento populacional está diretamente atrelado à pobreza, já que são os pobres que se reproduzem a taxas elevadas, a pobreza era sempre a questão hegemônica.
Tendo como ponto de partida essas reflexões críticas, a hipótese do duplo caminho coloca a necessidade de definição de políticas públicas dirigidas a combater a pobreza em diferentes frentes simultaneamente, como: políticas de emprego, moradia, educação, etc.
Apesar dos importantes avanços tanto no âmbito teórico quanto em sua implementação prática, o desenvolvimento sustentável continua basicamente atrelado a um desempenho técnico, dentro das regras do jogo do sistema de mercado capitalista, sem atingir nem questionar as relações de propriedade e apropriação capitalistas, que geram pobreza, diferenciação social e injustiça.

Escrito por: Phillipe Bruno Magalhães Barros
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
FOLADORI, G.  Avanços e Limites da Sustentabilidade Social, Revista Paranaense de Desnvolvimento, 2002    Acesso em: 09/06/2012
Disponível em:   http://www.ipardes.pr.gov.br/ojs/index.php/revistaparanaense/article/view/214